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  • MIBR: o sonho de criança ainda é o mesmo

    Coldzera, Stewie2k, Fer, Fallen, Boltz e Dead formam a nova equipe do Made In Brazil
    Por Mamacita - 25 de Junho de 2018 Atualizado em 26/06/2018, 10:59

    Cresci em uma cidade a quase 500km de São Paulo. Em Tanabi, tudo chega depois. A febre das lan houses chegou bem mais tarde do que na capital. Lembro que para jogar Counter Strike, tínhamos que ir para São José do Rio Preto, cidade a 40km de distância, e encontrar uma lan. Ainda tinha o agravante de que eu e meus amigos éramos menores de idade e precisava da boa vontade de algum pai ou mãe para nos levar. Não era fácil.

    A internet banda larga também demorou para chegar e, quando surgiu, era apenas internet à rádio. Se formasse uma nuvem, já parava de pegar. O Speedy foi chegar anos depois, quase uma revolução na região. Ainda sem internet, eu tentava descobrir um pouco mais do que se passava no universo do Counter Strike. Quando a primeira lan house abriu, eu cheguei a usar desculpas de “ir à missa” para poder jogar. Sem contar quantas vezes fui fazer trabalho escolar na casa do meu amigo que morava no mesmo quarteirão que a lan.

    Como ainda não tinha internet, frequentava a única banca de jornal da cidade e comprava as revistas como Nintendo World e que falavam sobre CS. Lembro do impacto ao ler uma reportagem sobre “Táticas na Inferno”. Achei espetacular. Na mesma revista, trazia nomes dos principais clãs brasileiros, como MIBR e g3x.

    Eu me encantei logo de cara com a camiseta do MIBR e já tinha definido qual time iria torcer. Era torturante ter que esperar um mês para saber notícias ou, até ter banda larga, ter que entrar na internet somente na sexta-feira à noite. Em 2006, vibrei sozinho, com muito atraso, a notícia do título da ESWC.

    Tudo era muito distante, frio e pouco valorizado. Em Tanabi, aos 16 anos, era preciso me desdobrar para acompanhar o cenário profissional de Counter Strike. No último sábado, já com 28 anos, vi o Marcelo de 16 anos se emocionar ao presenciar o ressurgimento do MIBR. Era uma sensação familiar e desconhecida ao mesmo tempo. Familiar porque sempre acompanhei o MIBR, sempre fui apaixonado por CS. E desconhecida porque nunca tinha presenciado qualquer partida ou evento do MIBR. Era raro ter conexão para assistir um jogo, mais raro ainda vir para São Paulo para poder conhecer qualquer jogador. Era tudo inimaginável.

    Mas no último sábado, sei que muitos, assim como eu, realizaram o sonho de VER o MIBR. O Marcelo de 16 anos vibra junto com o Marcelo de 28 anos.

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